Filipe Marques

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Leitura

Sobre mim


Embora na música e no desporto se possam referenciar preferências, considero que na leitura as coisas podem não ser assim tão lineares. É obvio que podemos sempre falar dos inúmeros livros de Paulo Coelho ou ainda de Gabriel García Marquéz, mas poucas são estas excepções. Mesmo assim é difícil gostar-se de tudo o que um autor escreve, pelo menos assim o entendo. Tivemos recentemente um sucesso estrondoso a nível mundial com "O Código Da Vinci", cujo êxito se ficou a dever mais à controvérsia em torno de Cristo e da Igreja (mais concretamente da Opus Dei) do que pela criatividade e estilo literário. Ainda de Dan Brown, temos o "Anjos e demónios", também em torno da Igreja e por isso também interessante, mas muito menos mediático que "O Código Da Vinci".

Quando há pouco falei das referências literárias e da (maior) dificuldade em se falar de uma obra, quando comparado com o cinema ou a música, omiti um aspecto fundamental ligado ao acto da leitura - a imaginação individual. É evidente que também extraímos sensações e mensagens da leitura, mas é a diferente capacidade de imaginação de cada um de nós que pode tornar único o que se lê. Esta é a razão principal - para além de nos livros se ter um enorme nível de detalhe descritivo - que faz com que uma adaptação de uma obra literária ao cinema, nunca seja tão boa como o próprio livro. Claro que podem sempre dizer que as obras de J. R. R. Tolkien adaptadas ao cinema, tem um efeito gráfico muito elaborado e "próximo" ao livro, mas importa ter sempre a consciência que estamos a ver o que o realizador "viu" quando leu aquelas obras. Quando lemos um livro, o que dele extraímos - para além do enredo, ou da mensagem transmitida - é algo de muito nosso, pois é a nossa imaginação que constrói os "cenários" que servirão de suporte à história. Ao lermos um livro, a forma como o vemos não é mais do que um espelho da nossa forma de sentir, dos nossos sentimentos, dos nossos receios, das nossas crenças, dos nossos amores, da nossa essência, de nós mesmos, de algo que já existe em nós. Por isso os livros são únicos para cada um de nós, ao contrário dos filmes. É evidente que a música tem também um pouco de pessoal, pois também esta nos transmite sensações que cada um sente de forma diferente, sendo por isso também muito pessoal. Mas é diferente: partilhamos os filmes (nas salas de cinema), partilhamos a música (nos concertos), mas já não partilhamos a leitura. Quanto muito podemos ler uma ou outra passagem para os outros, e daí extrair (partilhar) uma pequena mensagem, mas já não podemos partilhá-lo na integra.

Tudo o que aqui foi dito não invalida que haja qualidade numa dada obra literária, qualidade esta que é reconhecida pela maioria das pessoas que a lê. O livro é fruto da criatividade e do talento de quem o escreve. O leitor reconhecerá obviamente essa qualidade, mas apesar disso cada leitor "verá" a obra pelo seu próprio ponto de vista, pelo seu próprio "ângulo". A perspectiva como se vê uma obra não depende da sua qualidade, mas a sua qualidade vai influenciar a forma como se "vê" a mensagem. A leitura é assim, um acto conjunto entre o escritor (o criador) e o leitor (o intérprete). É este facto que faz da leitura algo de tão maravilhoso.

Não me interessa aqui referenciar, dar opiniões ou mesmo sugestões de leitura. Os gostos são pessoais e por isso respeito também os vossos. O que realmente interessa é fazer entender aos não leitores habituais, o quão importante é esta prática, por tudo o que aqui foi já referido. Para além do mais, a leitura é a arte por excelência de adquirir novos conhecimentos, de nos enriquecermos interiormente, de nos transcendermos, de crescermos cada vez mais, de escaparmos à mediocridade do mundo contemporâneo. Plagiando mais uma vez - "leia, pela sua saúde (mental)".

- Apenas uma sugestão para uma leitura interessante:

Se encontrarem um livro à venda cujo título é "A física da Imortalidade", de um físico chamado Frank Tipler, e em português, leiam-no. Só uma pequena achega do autor: «É de facto excepcional encontrar uma obra em que se declare, como farei ao longo deste livro, que a teologia é um ramo da física, os físicos podem inferir a existência de Deus através do cálculo e a probabilidade da ressurreição dos mortos para a vida eterna exactamente da mesma forma que calculam as propriedades do electrão. É natural que se perguntem se estou a falar a sério. Estou a falar muito seriamente, mas estou tão surpreso como o leitor. Fui obrigado a chegar a estas conclusões pela lógica inexorável do meu ramo de especialidade, a física.»

- A leitura é deveras complicada. Admito que ainda não passei da Introdução e já estou com algumas dificuldades de compreensão. Em alternativa, ler "A fórmula de Deus" de José Rodrigues dos Santos. Embora seja um romance tem conceitos fantásticos.

Nota importante: seleccione o que ler. Também sobre a forma escrita, existe muito esterco. Nunca esqueça que as grandes ditaduras político-económicas tiveram por base, de uma forma ou de outra, algo (não merece ser chamado de obra) escrito. Mas isso também é do foro pessoal de cada um.

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